sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Pablo Neruda com video de James Blunt





Posso escrever os versos mais tristes esta noite.


Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus
braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


Poderão, quem se der ao trabalho de ler, perguntar, que é que tem em comum Pablo Neruda e James Blunt???? Nada e tudo. São duas personagens deste mundo de vivências com estilos diferentes e muito iguais, são personagens que eu gosto de ler e de ouvir, transmitem algo com que me identifico.




2 comentários:

A Conxurada disse...

Neruda é fantástico, é un poeta de descuberta adolescente, e Blunt, pois non disgusto del.

Saúdos

Ana disse...

Visita sempre que te apetecer. As minhas raizes são espanholas, mais precisamente galegas, e eu adoro pessoas que me fazem lembrar a minha familia.
Pablo Neruda, tns razão poeta da nossa adolescência mas que fica até à nossa velhice. Os poemas dele dizem-me muito, entendo como se ele os escrevesse para mim., James Blunt, tem 2 ou 3 músicas que eu gosto. Só misturei os dois, porque são gerações muito diferentes, mas que no fundo, escrevem o que lhes apetece, e isso é importante, não escrevem para o dinheiro, escrevem por gostar.
Abraço