
Apeteceu-me escrever, agora mesmo. Estava a ler um livro do Dr. Walter Dresel que é cardiologista na Universidade Oriental do Uruguai. Trabalha como homeopata e é fundador do centro de Medicina do Bem-Estar e do Centro de Liderança e Administração da Vida Humana.
Recebeu o prémio Cervantes do Uruguai em 2003 e o Prémio Quijote em 2004 também no mesmo País.
Adoro a escrita dele, e resolvi partilhar um pouco dela com quem quiser e estiver disposto a ler.
Num dos capítulos do livro "Toma café contigo mesmo", existe uma pergunta muito interessante, que penso que não haverá ninguém ou quase mesmo ninguém que nunca a tenha colocado a si próprio: "Será que eu mereço viver da maneira que estou a viver?"
"A MINHA VIAGEM À RECUPERAÇÃO"
No começo
eu duvidava que fosse possível
resistir até ao fim.
Houve tempos de ira,
dor, tristeza e sofrimento;
tempos em que eu me perguntei:
Porquê eu?
Mas um dia
houve um clarão de luz
e em seguida outro.
As nuvens começaram a abrir-se
e pude ver além delas.
Os momentos de alegria,
de me sentir segura,
foram-se somando mais
que os de melancolia.
Foram tecidas novas amizades;
a desolação, a falta de confiança no meu valor,
foram-se convertendo
em firmeza, em resolução.
Era como passar das trevas
para a luz, com uma nova sensação
de poder.
Agora compreendo que no meu passado há coisas
que não posso alterar;
o que posso é impedir que mandem
na minha vida e na minha felicidade.
Sei que esta parte da minha vida
jamais acabará totalmente,mas o lugar que ocupa na minha existência
jamais acabará totalmente,mas o lugar que ocupa na minha existência
é menos proeminente.
Comecei a permitir que outras ideias
povoem a minha mente.
Tenho um melhor conhecimento de mim mesma,
das minhas fragilidades e dos meus pontos fortes.
Já não temo impor limites.
Começo a desfrutar outra vez da vida
e a pensar no futuro.
Agora posso ver esse tempo todo
como ele foi:
um tempo de crescimento,
de descoberta de mim mesma,
de cura.
Texto de Anne Marie Edwards - escrito por Ana Borges