segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DESAFIO




O blogue O Sabor Da Palavra, resolveu dar-me um saco de lã todo embrulhado para eu fazer um novelo e transformá-lo numa bola bem redondinha. Ora muito bem, não gosto muito de dados impostos, mas pelo respeito que tenho pelo dono do respectivo blogue aceitei.

Não é muito simples viver a vida. Às vezes ela contém capítulos imprevisivíveis e inevitáveis. Mas é possível escrever os principais textos das nossas vidas nos momentos mais difíceis da nossa existência, mãos à obra.

O desafio consiste em:


1- Escrever uma lista com 8 características suas

2- Convidar 8 blogueiros para receber o selo;

3- Comentar no blogue de quem lhe deu o selo;

4- Comentar no blogue de quem escolheu.


Aqui vai:


HUMOR- consigo rir-me de situações que passei aceitando as minhas imperfeições e respeitando-as, achando-as engraçadas.

RESPEITO- ensinaram-me desde pequena que tinha que respeitar os outros, a palavra outros estava sempre em primeiro lugar, esqueceram-se ou não sabiam que EU para respeitar os outros tinha que aprender a respeitar-me a mim própria. Quando isso aconteceu, quando aprendi por mim própria, da pior maneira, mas aprendi, então ninguém nem nada me invade. Aprendi a dizer NÃO sem medo e com respeito e os outros aprenderam a respeitarem-me.
Quando aprende-mos a respeitarmos-nos e a expressarmos-nos com sinceridade não exigimos que os outros adivinhem o que queremos. Assim também os respeitamos um pouco mais.

VALOR- choro se tenho que chorar e rio se tenho que rir. Nós é que criamos as dificuldades e as mudanças assustam-nos, então temos logo a nossa mente a avisar-nos cuidado, vê lá podes errar, podes vir a sofrer, não arrisques, etc. Para isso temos a voz do coração que nos diz, atrevê-te, talvez seja a tua oportunidade, não a percas, não fiques conformado, segue em frente, não tenhas medo vive. Este dilema vive dentro de nós, de mim e de todos sempre, tenho sempre uma balança com 2 pratos num coloco as palavras do coração no outro prato as palavras que brotam do raciocínio, depois observo para que lado se inclina a balança. Normalmente sigo o coração.
Temos que fazer na vida quotidiana pequenas mudanças mesmo que estas pareçam perigosas, mas temos que voar, fiamos assim a saber pelo menos mais qualquer coisa. Adquirimos mais um valor, mais uma sabedoria e não ficamos com a dúvida que destrói lentamente enchendo-nos de tristeza e culpabilidade de termos deixado de ver e conhecer algo.

LIBERDADE- antes de escolher o que desejo observo o que penso, fico atento ao que sinto e actuo de acordo com isso. Pode ser uma mais valia ou não, mas a minha liberdade têm esse preço. Pois se desejo comer ananás e escolho comer banana vai ser muito difícil digeri-la. Mas não culpo ninguém dos meus erros, sou livre de pensar e agir, desejar e fazer, não se deve é pensar o que não se quer não desejar o que te incomoda ou não faças aquilo que não gostas não desejas nem queres pensar cada momento é uma opção.

VERDADE- Não te canses a procurar a verdade fora de ti, será sempre uma meia verdade. Assim como não te canses de procurar a amizade nos outros para te apoiares nela pois será sempre uma meia amizade. Procurei durante muitos anos encontrar nos livros, nos outros, onde tinha errado. Todas as respostas que fui encontrando deixavam-me cada vez pior, um sentimento de culpa nascia, por muito que o que lesse e ouvisse dissesse o contrário. Afinal o que estava errado?
Ao fim destes anos todos, a verdade está dentro de mim, em vez de viver agarrada a esse sentimento de culpa, se fiz bem, se fiz mal, o que fiz mal, o que fiz bem, passei a perguntar, a mim mesma, o que me fizeram?? Onde estava o bem que me fizeram?? Portanto o meu amigo interior, a minha verdade interior nunca se engana, embora por vezes me chame a atenção e eu não goste de ouvir as suas palavras, mas isso foi quando tomei conhecimento que ela existia, a minha verdade interior. Agora sei que as suas palavras são a verdade e um verdadeiro amigo não engana, está sempre a mimar-nos, mas também é sincero valente e tem a coragem de dizer-nos o que está mal. Este amigo é incondicional.

COMUNICAÇÃO- é um principio muito difícil de adquirir. Cominicar não implica que primeiro pensemos nos outros. Comunicar é não pensar nas outras pessoas em primeiro lugar. Claro que temos que conhecer quem é o destinatário, a quem se destina a comunicação e o tema, no dia-a
-dia. Dai que em primeiro lugar temos que ouvirmos-nos a nós próprios, escutar os nossos pensamentos, sentir o nosso coração e ouvir a sua voz. Abrir o coração e descobri-lo com muito amor, limpar-lhe as tristezas e curar-lhe as feridas, depois dar-lhe força e coragem para seguir o seu processo. Temos que aprender a parar a mente para falar-mos melhor connosco, descobrindo a sua intuição. Não comuniques com os outros sem comunicares contigo primeiro. Quando aprenderes a falar contigo próprio verificarás que a comunicação com os outros melhora, amplia-se e enriquece-se.

FILTROS- esta é a parte mais difícil para mim, não fui concebida nem educada nem protegida nem ensinada para lidar com esta parte da vida, com a dura realidade da vida. No entanto esta é a parte que estou a educar melhor e mais. Talvez por isso seja aquela sobre a qual tenha menos a dizer. Filtrar a agressividade e a incompreensão geradas pelos que nos rodeiam é a parte mais desgastante da vida. A emoção é a parte mais frágil da alma humana e paradoxalmente é a mais protegida. Se permitirmos uma crítica esta muita vezes pode destruir-nos, mas se nos proteger-mo, se nos soubermos proteger, nem um milhão de ofensas nos afectam.
Não façamos da nossa emoção uma lata de lixo social.
Não gravitemos em torno dos insucessos. É possível algumas derrotas, mas quando formos derrotados temos que saber que não existe um fundo no poço da alma humana. Existe sempre uma saída, nós é que não a vemos, quando passamos por esses momentos. Temos que apreender a caminhar pelas vielas do nosso ser para encontrar o nosso mundo que está dentro da casca de uma noz, temos que quebrá-lo e ver as oportunidades, as milhares de oportunidades que saem lá de dentro.

AMOR- a mais importante e como tal a mais falada, a mais idolatrada, aqui referirei, contarei apenas uma pequena história que adoro.
Nós, todos, já vivemos o maior romance da história e foi correspondido.
O nosso romance era genético instintivo e incontrolável. Nem Hollywood filmou um romance tão dramático e tão belo como o nosso. QUANDO ?????
Quando TU eras ROMEU espermatozoide, profundamente solitário e apaixonada por MIM JULIETA óvulo.
Quando Romeu espermatozoide me encontrou Julieta óvulo ainda não tinha uma inteligência apenas uma memória genética. Mas se conseguisse pensar, talvez lhe dissesse:
"Fui pisado, pressionado e esmagado. Escalei montes altíssimos, nadei oceanos profundos, corri enormes perigos para te encontrar. De hoje em diante eu e tu seremos um só. Nunca desistirei da vida. Amar-te-ei para sempre" Teu Romeu espermatozóide.

Aqui estão 8 pedaços do meu interior, não estarão na montra, ou seja não são lineares, dizendo simplesmente eu sou assim mas também sou assim.

Eu sou chata, e não sou muito directa quando falo de mim. É difícil, já achei que tinha mais defeitos que agora, mas mesmo assim ainda acho difícil falar da minha própria pssoa, por isso sou chata porque escrevo, assim como falo, MUITO. Mas quem me conhece acha esse meu comportamento um bom sinal, porque quando apenas sorrio e falo de forma cortês e bem educada então não sou eu, é a outra Ana, aquela que uso quando tenho que representar. Mas não gosto.

Agora convido 8 bloguistas que gostaria muito que aceitassem o desafio que já terá sido lançado por muitos e creio que dá um impacto mental forte "é pá fosga-se estes pensam que não tenham mais nada para fazer, etc, etc, etc" mas depois de começar eu, por exemplo adorei, acho que há algum tempo que não me ouvia e gostei, fiz alguns progressos. Foi bom.

E esses bloguistas são:

ProsasVadias

Dass

EnfermeirooEnfermo

AnjoDemonio

Sonhadora

Entre as Brumas da Memória

Entre deus e o diabo

Menina Limão

E aqui está lançado o repto final, aceitam-se voluntários para se darem ao conhecimento de livre vontade .....................................




3 comentários:

carlos freitas disse...

Aos sentimentos, essa obscura parte que lhes mina a alma, dedicam grande parte da sua vida. Dai que este não poeta que te escreve tenha deixado de querer ser poeta apenas de palavras e de sentimentos interiores, tenha resolvido, um belo dia, fazer da sua própria vida o único poema que há-de algum dia escrever. A quem me pergunta como sou, aonde cheguei assim sendo respondo que é da minha natureza ser ao mesmo tempo complicado, confuso e caótico, bem e mal-humorado e ao mesmo tempo tão cristalino, que a luz própria do dia me torna quase invisível. Ainda hoje o sentido da vida é ao mesmo tempo algo de tão natural (nascer, viver e morrer) e complexo (donde viemos, porque viemos, o que é a vida?) que todos os dias tento resolver essa enorme contradição. Tenho o coração limpo, a mente aberta e os defeitos próprios, pessoais, se fosse perfeito era apenas uma estátua grega. Alguns deles herdados, outros por mim construídos. Sou apenas um homem em construção. Deus não existe. Eu sei, tu sabes, no que acredito. Mas tu existes. Ou seja, acredito que se Deus existir, eu devo agradecer a possibilidade de respirar o mesmo ar que respiras. Amo com toda a violência da palavra. Desmesuradamente. Sei que o comum é não pensar que o amor é algo de bélico. Mas que fazer quando nos damos de forma incomensurável? Pergunto tantas vezes a mim mesmo. Tento contudo que esse sentimento seja uma ténue pegada no quotidiano, não cultivo o sentido da posse. Quem se entrega de forma imensurável, não tem medida para os outros. Por vezes exige. Noutra, sentindo-se ferido, repele. Mas é contudo nos pequenos gestos que se consegue vislumbrar o sal da vida. Tive a sorte de ter recebido alguma educação e atenção por parte de quem me fez vir ao mundo. Proletários, gente sem posses, trabalhadores por conta de outros, não nego as origens, onde valores e respeito não eram apenas conceitos ou palavras vãs. Liberdade e verdade (não a verdade de cada um, relativa, mas a verdade sem filtros) descobri-as só. Aprendi a soletra-las caindo e levantando-me, caindo e levantando-me. Ainda hoje é assim. Tenho igualmente uma dificuldade: a de discernir até que ponto a verdade na boca dos outros é mesmo verdade. Tendo a verdade como valor inalienável, absoluto e universal é por vezes difícil discernir nas palavras dos outros a mentira. No entanto a sabedoria da idade trouxe consigo essa sabedoria. E essa é o meu único filtro - a sabedoria da idade - que só hoje, agora, posso usufruir. Até aqui se era para mandar à merda, não mandava recado. Hoje a sabedoria da idade, o meu filtro, aconselha-me antes de abrir a boca. Não porque tenha medo, simplesmente porque, no pouco tempo que terei para viver, quero viver bem comigo mesmo. Apenas peço que não me chateiem muito. Porque, quem sabe, se o filtro se entope, o que não poderá acontecer. Falei de tudo, inverti o sentido, esbracejei, ri-me de mim mesmo (essa eterna sabedoria), contornei, com pouca mestria, as questões mais incómodas. No fundo sou assim, utilizo as palavras para dizer o que não queria dizer, para dizer o que já sabes, para me contradizer. Ai, as palavras. O que eu não posso fazer com as palavras. Assim elas quisessem.

Um beijo meu Eterno Amor.
CFANunes

Gonçalo disse...

Por vezes também acho que estes desafios são brincadeiras infantis de pessoas que não têm nada mais que fazer! No entanto, depois descubro muito de mim nas minhas respostas e sinto que é um tempo rico de conhecimento interior e reflexão. A questão está apenas na partilha! E eu gosto de partilhar as minhas descobertas :)

Gostei de te descobrir de forma muito SIMPÁTICA!

Beijinhos grandes e até breve!

Abelhaferrona disse...

Com milhões de palavras que só servem para chatear e enfartar os outros, mas os teus pedidos serão sempre aceites, acredita que és o jovem mais adulto que conheço e aquele que respeito com muita amizade, carinho e tudo o que te possa dar de bom....
Uma beijoka grande

Ana