Começo a escrever, sem saber como começar.
Acordei mal, não fisicamente mas emocionalmente. Recebi ontem um sms que só vi hoje de manhã e me deixou mal.
Não sei se é chamada de atenção se é mesmo uma despedida.
Espero que seja só e apenas mais uma chamada de atenção.
Não sei bem como vou saber, mas farei tudo para saber.
Foram alguns anos, em que posso dizer que tiveram momentos bons, e bastantes momentos maus.
Até que acabou tudo por um momento muito mau. No meu interior ainda existem resquícios dos bons momentos, apesar de tudo ainda lembro os bons momentos, o seu pouco sentido de humor, mas que existia e era muito bom.
Recuando alguns anos atrás, lamento não ter conseguido abrir aquele coração, fazer com que acreditasse em alguém que lhe foi tão honesta, tão sincera, e deitasse todas as mágoas para fora, que se abrisse, que acreditasse, porque não faz mal um homem chorar. mas não, sempre mostrou a sua frieza, a sua altivez, o seu rancor, os seus ódios. Impenetrável. Hoje conhecendo bem melhor, tudo esse interior, todas essas falhas, não quero acreditar que seja tarde demais. Como eu gostaria de ter ajudado mais, de o ter abanado com força de modo a que abrisse a boca e deitasse tudo para fora. Mas não, limitava-se a descarregar os diabos interiores nas pessoas que mais o amavam, que lhe perdoavam, que escondiam a dor dizendo apenas "é feitio, isto passa, ele tem bom coração", e assim foi. mas não devia ter sido assim.
Psiquiatras? Para quê? Medicação para dormir? o mal não era falta de sono, eram tantos demónios interiores, que matavam os anjos que queriam combatê-los. Era uma guerra sem fim.
Sofreu? Sim, muito, até demais.
Apareceu um cancro, ficou sem fala. Que mais maldição poderia ter acontecido?
O ódio fico ainda pior, atirou culpas para todos, como se um cancro pudesse ser atribuído a uma causa maléfica de outro ser humano.
Palmadas e desculpas.
Perdões e raivas.
Se acontecer algo que não seja apenas uma mera chamada de atenção ficarei com uma dor na alma, no coração, porque o suicídio é apenas um ato de fuga, quando aprece apenas uma parede sem saída.
Falo com sabedoria, já o fiz, mas Deus disse "Vais lutar, e na vida é que se luta, levanta a cabeça, perdoa-te e acredita em ti, pois saberás o que tens que fazer, para, ouve-te e segue em frente", e aqui estou eu fazendo isso todos os dias, não o perdoar-me, porque já o fiz nessa altura, tornei-me numa melhor pessoa, olho para os problemas e penso em soluções.
Suicídio não é cobardia, é coragem.
Todas as chamadas de atenção, não querem dizer que se chegue ao fim, mas haverá um dia em que se tornarão verdadeiras, e será o fim.
Eu, acredito que não o terá ainda feito, por medo do desconhecido, não sabemos o que estará do outro lado, o sofrimento que será a partida, as dores, o medo. Mas sozinho, numa casa rodeada de ervas, desconfortável, sem falar com ninguém, sem nada, acredito que a cabeça tem um filme de longa metragem, que vai passando diariamente, e nunca chega ao The End.
Tenho tanta pena, mas as penas não são nada.
Apetecia-me pegar no carro, chegar lá, trazê-lo e dar-lhe nova oportunidade, mas penso no que passei, no que sofri, no que fui rebaixada, e fico-me pelas penas, tal galinha.
Logo vou ligar ao Sr. Bernardino (merceeiro) perguntar se ele o viu.
🙏
favos e ferrões
AnaB

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