05/03/26
Tantos anos se passaram.
Sempre ouvi dizer, que com a idade iriamos viver de saudades, de lembranças, eu ria-me, mas agora acredito plenamente nisso. Todos os dias revivo um dia passado, hoje calhou-te a ti, seres a minha memória deste dia.
Já fez mais de meio século, que o nosso momento existiu.
Um jovem lindo, no fim da adolescência e principio de adulto, e uma jovem linda na adolescência, só uma troca de olhares e tudo começou.
E ao mesmo tempo vem a canção do Paulo de Carvalho "Nini dos 15 anos", basta a letra e entramos no filme dessa época "recordar os 15 anos e o meu primeiro amor", o bilhar, os matraquilhos, as horas de estudo e a troca de olhares, o primeiro beijo "com toda a ternura que tem o primeiro amor", a sala de estudo que era considerada uma prisão, passou a ser o melhor sitio do colégio "batia o coração mais forte que a canção", e assim que tocava a saída das aulas, começava a corrida para a sala de estudo, e o suspiro do olhar. Nem sei se abria os livros, o que sei é que tu como mais velho e finalista do colégio, estavas incumbido de tomar conta da sala de estudo, que bom ficávamos frente a frente, éramos os primeiros a chegar, e os últimos a sair, e se custava sair. Mas entre o fechar a porta, e o sair, havia sempre aquele beijo, em que o mundo desaparecia, e ficávamos só nós.
Nos intervalos das aulas, de mão dada, andávamos como que a voar nas nuvens, estivesse a chover ou a fazer sol, nada importava, só existíamos os dois. Aquele pequeno pátio, era o nosso mundo.
Tudo terminou. Teve o seu tempo, mas ficou sempre a ternura do primeiro amor.
Ainda hoje te visito, estiveste durante muitos anos só, agora vi que já tens a teu lado o teu Pai e a Senhora tua Mãe. Imagino a solidão, tua e deles, a deles foi muito dolorosa partiste muito cedo, não deveria ser assim, eu chorei muito quando te foste, passei a vida tentando disfarçar pois não me era permitido chorar, não me deixavam ter esse direito, mas eu tinha, e o meu coração ficou partido, tantas promessas quebradas, tantas juras, tornadas mentiras.
Continuarei a visitar-te, sempre que o coração me pedir, levarei a rosa prometida como sempre. Sei que a vês, sei que me vês, e dar-te-ei aquele beijo "o primeiro beijo", já não choro, agora dou um suspiro, como um, até um dia, meu primeiro amor.
AB

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