quarta-feira, 4 de março de 2026

 

Mais um dia

04/03/26

Sentada no mesmo sitio, com as mesmas mobílias, sendo eu uma parte da mobília, tento colocar pensamentos em dia.

Metade da vida já passou, a outra metade não sei se irá passar, mas pelo menos passará um dia de cada vez.

Sinto-me só? Talvez, tem momentos.

Gosto de estar só. Dá-me uma sensação de liberdade, a liberdade de ser só eu.

Passei tormentos, uns foram abalos, outros pequenos terramotos, outros uma escala maior, mas saí quase ilesa. Será que saí? Talvez não. 

Aprendizados? Muitos. Quase um doutoramento e uma especialização. Especialização em "assuntos mal resolvidos". daria uma série interessante, daquelas que o fim fica em suspense. 

dentro da minha cabeça fervilham ideias, fervilham palavras, fervilham palestras

Queria estar rodeada de pessoas que não conseguem dizer o que sentem, o que passaram, como podem sair da situação, como podem ter novamente vontade de olhar para o espelho e sorrirem.

Queria dizer-lhes que as coisas passam, e nós temos que olhar para o espelho e dizer eu amo-me, eu sou boa, eu sou linda, eu sou MULHER, eu acredito em mim, eu consigo. Dizer tanto EU, EU, EU......

Porque Eu, porque esta pessoa por detrás das teclas, passou por isso, e deu a volta. Claro que se aprofundar muito, a volta ainda não dá uma rotunda completa, mas irá dar, Eu acredito que sim.

Eu creio que ainda tenho tanto para fazer, para dar, para receber, para sorrir, e até chorar, mas choro cada vez menos, quero chorar de alegria, quero estar rodeada de pessoas do bem, que me façam bem e me deixem fazer o bem.

Quero aprender. Quero saber coisas que nunca me fizeram parar para fazer, e agora eu quero, eu vou fazer.

Chega esta manhã quase ao fim, metade do dia já passou a outra metade logo se verá.

Ferrões e Favos de Mel💫









segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O pequeno heli


Parada encostada à separação, que existia entre mim e aquele pequeno heli, sonhei, sonhei que entrava nele, e voava olhando para tudo o que existia debaixo de mim. Estava nas alturas, os rios serpenteavam tal cobras no meio de vegetação verde e "vegetação" negra como breu. Sentia-me um Deus, estava no meu mundo, um mundo grande, onde observava o bom e o mau, e sorria feliz, ali, era eu e o pequeno heli, montanhas, vales, mais ao longe uma área azul grande, o mar imponente, aproximei-me mais e quase toquei a espuma branca que se estendia na areia, voltei a subir e senti que o mundo era meu.
De volta à realidade, apagou-se o sorriso disse adeus ao pequeno heli e vim embora. Espero voltar a sonhar contigo.

AnaBorges

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

mais um dia


Coimbra

Nasci e cresci em Coimbra, houve alturas em que a abandonei, as melhores lembranças foram as passadas nesta cidade, e também as piores.
Mas a vida é feita de contradições:

Branco - Preto
Chuva - Sol
Calor - Frio
Rir - Chorar
Bom - Mal
Etc - Etc

Etc - Etc é igual não tem contradição "abreviação do latim et cetera, que significa "e outros", "e os restantes" e "e outras coisas mais", é uma forma de continuar a falar sem saber o que se dizer mais.

Eu hoje estou Etc, 

Olhei para esta foto que tirei num dia destes e pensei em Coimbra, pensei nos momentos em que a abandonei e chorei com saudades dela. 

"Eu sei que tempo passa

E tantas coisas acontecem se as entender

O mundo é uma dança que não pára

E onde tudo pode suceder"

Letra da canção de Coimbra "Tu e só Tu"

Ana Borges

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Rainha Santa Isabel



Coimbra, 5 de Julho de 2018

RAINHA SANTA ISABEL

Mais uma procissão: "Procissão (provém de procedere, "para ir adiante", "avançar", "caminhar") é um corpo organizado de pessoas caminhando de uma maneira formal ou cerimonial. Muitas vezes acontece sob a forma de um cortejo religioso realizado em marcha solene normalmente pelas ruas de uma cidade, carregando imagens e entoando orações ou cânticos.[1] Este ritual segundo a crença, tornaria as pessoas e os locais, abençoados.[2] Dessa última forma é praticado em várias religiões cristãs, tais como o catolicismo, a ortodoxia, e algumas igrejas reformadas"

Mais uma ida nesse cortejo religioso, calada, triste, lembrando que 2 anos atrás, levei ao colo a minha princesa, sabendo que o fim estava próximo, senti necessidade de pedir Paz, apenas Paz na ida dela e Paz no meu ficar, porque eu sabia que ia doer muito.

Mas quando ia para começar a caminhar, parei e fiquei parada a observar a chuva de rosas sobre a Rainha Santa lançadas do cimo da Igreja, deixei-me ficar a ver ela "caminhar" na minha direção e senti que aquela imagem representava a mulher que Ela tinha sido na sua vida, uma Mulher corajosa, corajosa demais para aqueles desavindos tempos e segundo reza a história :
"D. Dinis morreu em 1325 e, pouco depois da sua morte, Isabel terá peregrinado ao santuário de Santiago, em Compostela na Galiza, fazendo-o montada num burro, e a última etapa a pé, onde ofertou muitos dos seus bens pessoais. Há historiadores que defendem a ideia que lá se terá deslocado duas vezes.
Recolheu-se por fim no então Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336.
Nessa altura, Afonso declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua mulher D. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente quatro anos mais tarde, com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339."

Hoje em dia, que Mulher faria isso? Não sei, mas falo por mim, que me acomodei e deixei os anos passar, sem me colocar à frente de um Homem e exigir explicações sobre "PORQUÊ?"

Ana Borges
17/08/2018

SAIR DAS PALAVRAS: DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

SAIR DAS PALAVRAS: DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE:          


Hoje é o Dia Internacional da Amizade! E a Amizade é todo um  tratado. Como escrevia Saint-Exupéry:                ...

Daniel, aproveito este belo texto sobre a amizade para te dizer VOLTEI, voltei a escrever no meu blog, e vim reviver os amigos que deixei para trás e como sempre os teus textos fascinam-me.

Um abraço sem ferrão, com mel

Ana Borges

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Hoje acordei assim

HOJE ACORDEI ASSIM


"É uma banalidade, por ser de mais evidente que o trabalho, ter um emprego, é o principal determinante nas condições de vida das pessoas. Contudo, quem conhece bem o que se passa nos locais de trabalho sabe que desta evidente realidade – a repercussão dos baixos salários e da degradação das condições de trabalho nas (pobres) condições de vida – há um outro lado que, mais encoberto, é, perversamente, a sua correspondência biunívoca: a desvalorização do trabalho e a degradação das condições de trabalho por via das más condições de vida, designadamente, da pobreza.

As condições de vida pessoal, familiar e social são indissociáveis dos salários e das condições de trabalho, visto que, de algum modo, as pessoas acabam sempre por “levar a casa para o trabalho”, tal como levam sempre (e até literalmente, muitas vezes) o “trabalho para casa”."

Pensei, pensei, pensei, e pelo caminho até ao trabalho fiz manobras para voltar para trás, para a cama que ainda estaria quente, tomar 1 ou 2 victam e dormir, dormir muito, de modo a que o tempo passasse rápido, ainda pensei em ir buscar umas "coisas minhas pessoais e adquiridas  com muito amor", para me desfazer delas a troco de uns trocos miseráveis, mas talvez devido às manobras esquisitas que fiz com o carro, o cérebro retomou o que se pode chamar racional, e pensei: "Eu?, porque me tem que calhar a mim resolver os problemas dos outros que também tem coisas pessoais adquiridas com amor ou dadas com amor e que guardam tal tesouro, como se fosse o único do mundo?" Chega, chega, chega, estou farta, onde estão os meus vícios? Não tenho. Contento-me com um café por dia, o almoço não passa da metade do pão da manhã. Os sábados, domingos e feriados são passados a inventar sonhos na mistura de cores.

E isto é a vida de uma pobre Mulher que passa por rica Mulher. É isto que a vida esconde, as aparências existem e vão sempre existir.

Cansei.....


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Noya - 19/02/2007 - 26/09/2016


Estive parada na escrita quase 5 anos, uma eternidade para mim, que escrevia quase diariamente.
O tempo emocional para mim parou, a vida continuou, mas a dor, a incerteza do momento foi demasiadamente forte.
Pouco interessa escrever sobre tudo o resto. Para mim só a dor de ter perdido a minha princesa adorada Noya foi o suficiente para que tudo o resto, por muito mau que tenha sido, passou ao lado.
Esta estrelinha que habita agora o céu dos patudinhos, foi a coisa mais doce, mais importante da minha vida, foi um sentimento tão forte que não tem nome. Morreu nos meus braços e nos meus braços veio sempre até à sua morada física.
Não a conseguia largar, sentia-a sempre quentinha, agarrada a mim, encostada ao meu peito, como sempre fazia para os beijos da praxe, no pescoço, na checha direita na checha esquerda (checha diminutivo de bochecha).
A campa continua lá onde eu a possa ver, o simbolismo das flores brancas, são a pureza de um sentimento tão nobre, tão honesto, tão puro.
Vai fazer dois anos no dia 26 de Setembro deste ano, que a depositei neste lugar. Puro simbolismo. Sei que sofro muito mais olhando para aquelas flores e saber que a ossada está por baixo do que se tivesse sido cremada, mas é ali que choro, que riu, que lembro todos os momentos bons, não houve momentos maus, a não ser este final.
Serás minha eternamente, meu amor.

Coimbra, 10/08/2018