segunda-feira, 27 de agosto de 2018

mais um dia


Coimbra

Nasci e cresci em Coimbra, houve alturas em que a abandonei, as melhores lembranças foram as passadas nesta cidade, e também as piores.
Mas a vida é feita de contradições:

Branco - Preto
Chuva - Sol
Calor - Frio
Rir - Chorar
Bom - Mal
Etc - Etc

Etc - Etc é igual não tem contradição "abreviação do latim et cetera, que significa "e outros", "e os restantes" e "e outras coisas mais", é uma forma de continuar a falar sem saber o que se dizer mais.

Eu hoje estou Etc, 

Olhei para esta foto que tirei num dia destes e pensei em Coimbra, pensei nos momentos em que a abandonei e chorei com saudades dela. 

"Eu sei que tempo passa

E tantas coisas acontecem se as entender

O mundo é uma dança que não pára

E onde tudo pode suceder"

Letra da canção de Coimbra "Tu e só Tu"

Ana Borges

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Rainha Santa Isabel



Coimbra, 5 de Julho de 2018

RAINHA SANTA ISABEL

Mais uma procissão: "Procissão (provém de procedere, "para ir adiante", "avançar", "caminhar") é um corpo organizado de pessoas caminhando de uma maneira formal ou cerimonial. Muitas vezes acontece sob a forma de um cortejo religioso realizado em marcha solene normalmente pelas ruas de uma cidade, carregando imagens e entoando orações ou cânticos.[1] Este ritual segundo a crença, tornaria as pessoas e os locais, abençoados.[2] Dessa última forma é praticado em várias religiões cristãs, tais como o catolicismo, a ortodoxia, e algumas igrejas reformadas"

Mais uma ida nesse cortejo religioso, calada, triste, lembrando que 2 anos atrás, levei ao colo a minha princesa, sabendo que o fim estava próximo, senti necessidade de pedir Paz, apenas Paz na ida dela e Paz no meu ficar, porque eu sabia que ia doer muito.

Mas quando ia para começar a caminhar, parei e fiquei parada a observar a chuva de rosas sobre a Rainha Santa lançadas do cimo da Igreja, deixei-me ficar a ver ela "caminhar" na minha direção e senti que aquela imagem representava a mulher que Ela tinha sido na sua vida, uma Mulher corajosa, corajosa demais para aqueles desavindos tempos e segundo reza a história :
"D. Dinis morreu em 1325 e, pouco depois da sua morte, Isabel terá peregrinado ao santuário de Santiago, em Compostela na Galiza, fazendo-o montada num burro, e a última etapa a pé, onde ofertou muitos dos seus bens pessoais. Há historiadores que defendem a ideia que lá se terá deslocado duas vezes.
Recolheu-se por fim no então Mosteiro de Santa Clara-a-Velha em Coimbra, vestindo o hábito da Ordem das Clarissas mas não fazendo votos (o que lhe permitia manter a sua fortuna usada para a caridade). Só voltaria a sair dele uma vez, pouco antes da morte, em 1336.
Nessa altura, Afonso declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua mulher D. Maria, filha do rei português. Não obstante a sua idade avançada e a sua doença, a rainha Santa Isabel dirigiu-se a Estremoz, cavalgando na sua mula por dias e dias, onde mais uma vez se colocou entre dois exércitos desavindos e evitou a guerra. No entanto, a paz chegaria somente quatro anos mais tarde, com a intervenção da própria Maria de Portugal, por um tratado assinado em Sevilha em 1339."

Hoje em dia, que Mulher faria isso? Não sei, mas falo por mim, que me acomodei e deixei os anos passar, sem me colocar à frente de um Homem e exigir explicações sobre "PORQUÊ?"

Ana Borges
17/08/2018

SAIR DAS PALAVRAS: DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE

SAIR DAS PALAVRAS: DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE:          


Hoje é o Dia Internacional da Amizade! E a Amizade é todo um  tratado. Como escrevia Saint-Exupéry:                ...

Daniel, aproveito este belo texto sobre a amizade para te dizer VOLTEI, voltei a escrever no meu blog, e vim reviver os amigos que deixei para trás e como sempre os teus textos fascinam-me.

Um abraço sem ferrão, com mel

Ana Borges

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Hoje acordei assim






HOJE ACORDEI ASSIM


"É uma banalidade, por ser de mais evidente que o trabalho, ter um emprego, é o principal determinante nas condições de vida das pessoas. Contudo, quem conhece bem o que se passa nos locais de trabalho sabe que desta evidente realidade – a repercussão dos baixos salários e da degradação das condições de trabalho nas (pobres) condições de vida – há um outro lado que, mais encoberto, é, perversamente, a sua correspondência biunívoca: a desvalorização do trabalho e a degradação das condições de trabalho por via das más condições de vida, designadamente, da pobreza.
As condições de vida pessoal, familiar e social são indissociáveis dos salários e das condições de trabalho, visto que, de algum modo, as pessoas acabam sempre por “levar a casa para o trabalho”, tal como levam sempre (e até literalmente, muitas vezes) o “trabalho para casa”."

Pensei, pensei, pensei, e pelo caminho até ao trabalho fiz manobras para voltar para trás, para a cama que ainda estaria quente, tomar 1 ou 2 victam e dormir, dormir muito, de modo a que o tempo passasse rápido, ainda pensei em ir buscar umas "coisas minhas pessoais e adquiridas  com muito amor", para me desfazer delas a troco de uns trocos miseráveis, mas talvez devido às manobras esquisitas que fiz com o carro, o cérebro retomou o que se pode chamar racional, e pensei: "Eu?, porque me tem que calhar a mim resolver os problemas dos outros que também tem coisas pessoais adquiridas com amor ou dadas com amor e que guardam tal tesouro, como se fosse o único do mundo?" Chega, chega, chega, estou farta, onde estão os meus vícios? Não tenho. Contento-me com um café por dia, o almoço não passa da metade do pão da manhã. Os sábados, domingos e feriados são passados a inventar sonhos na mistura de cores.

E isto é a vida de uma pobre Mulher que passa por rica Mulher. É isto que a vida esconde, as aparências existem e vão sempre existir.

Cansei.....

Ferrões e Favos de Mel


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Noya - 19/02/2007 - 26/09/2016


Estive parada na escrita quase 5 anos, uma eternidade para mim, que escrevia quase diariamente.
O tempo emocional para mim parou, a vida continuou, mas a dor, a incerteza do momento foi demasiadamente forte.
Pouco interessa escrever sobre tudo o resto. Para mim só a dor de ter perdido a minha princesa adorada Noya foi o suficiente para que tudo o resto, por muito mau que tenha sido, passou ao lado.
Esta estrelinha que habita agora o céu dos patudinhos, foi a coisa mais doce, mais importante da minha vida, foi um sentimento tão forte que não tem nome. Morreu nos meus braços e nos meus braços veio sempre até à sua morada física.
Não a conseguia largar, sentia-a sempre quentinha, agarrada a mim, encostada ao meu peito, como sempre fazia para os beijos da praxe, no pescoço, na checha direita na checha esquerda (checha diminutivo de bochecha).
A campa continua lá onde eu a possa ver, o simbolismo das flores brancas, são a pureza de um sentimento tão nobre, tão honesto, tão puro.
Vai fazer dois anos no dia 26 de Setembro deste ano, que a depositei neste lugar. Puro simbolismo. Sei que sofro muito mais olhando para aquelas flores e saber que a ossada está por baixo do que se tivesse sido cremada, mas é ali que choro, que riu, que lembro todos os momentos bons, não houve momentos maus, a não ser este final.
Serás minha eternamente, meu amor.

Coimbra, 10/08/2018


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Acordar

Acordei ao som da chuva a bater nas folhas das árvores. Sorri. Já sentia saudade deste som. Ao longe um rugido, apenas um trovão, enrosquei-me no edredon, quentinha continuei embalada pela música da chuva nas folhas, acabei por voltar a adormecer.
Adoro a aldeia. Sempre que posso fujo para este lugar, a vida aqui passa ao bater das horas do relógio de sol, não existe horas para acordar, nem para deitar, sento-me sempre debaixo da parreira, aquele cheiro adocicado dos cachos, embriaga-me o pensamento e anestesia-me. Sinto-me feliz aqui.
Gosto de ir pelo caminho ladeado de cameleiras, olho para os lados e vejo os castanheiros carregados de ouriços, um passaro voa á minha frente como a indicar-me as flores mais bonitas, sento-me debaixo de uma árvore e puxo do telemóvel para

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Busca






Na primeira estação em que o comboio pára, eu saio. Não sei que sitio é, nem o nome, apenas uma estação. Saio ao meu ritmo, não me apetece correr, não vou atrás de nada nem de ninguém, vou ao meu encontro, ao meu encontro do meu eu interior.
Pelas indicações que me tinham dado, era esta a estação em que tinha que sair. Peguei na mochila e desci do comboio.
Um sol apanha-me desprevenida e faz-me fechar os olhos, procuro na mochila os óculos de sol, coloco-os e olho em frente, deixo cair a mochila, está pesada, embora carregue apenas o essencial, mudas de roupa interior umas t-shirts, um camisolão, gel banho e sampoo e protector solar, porque acho que vou ter de andar bastante a pé até ao lugar que busco para a minha caminhada interior. Olho á volta, o comboio que me trouxe já vai ao fundo da linha, em frente uma estação com os wc's ao lado, e uma estrada ao lado.
Levanto a mochila coloco-a ás costas e dou uns passos em frente, passo por dentro da estação, na bilheteira está sentado um funcionário com um ar de quem está mais a dormir que a trabalhar, não devem abundar muitos passageiros por estas bandas, é uma estação muito pequena, numa vila muito pequena, perdida algures naquele Alentejo Sul, quase Algarve.
Saio e olho a ver se encontro um táxi, para me dizer onde fica o lugar que busco. Nada, nem vivalma nas redondezas, sento-me na escada e fico a pensar, afinal estou firme para seguir o caminho que quero descobrir? O suor escorrega-me pelos olhos, está calor, naquele pedaço de terra algures por ali. Nem um café, levanto-me e vou á procura de alguém ou de uma tasca ao menos para ficar á sombra e descobrir quem me possa indicar o caminho.
Caminho e ao virar uma esquina encontro um pequeno café, entro e fico á espera que os olhos se adaptem ao escuro, um brisa fresca agradável percorre o meu corpo, vejo ao fundo uma mesa sem ninguém, vou até lá.
Afinal naquele pedaço de terra habita gente, peço uma água tónica e um café, olham todos para mim, uma estranha naquela terra, baixo a cabeço num acto de cumprimento, as pessoas viram-se desinteressadas em mim.
Abro um mapa, vou ver se entendo aqueles riscos azuis, vermelhos, por fim lá encontro o nome do lugar que me trouxe até aqui.
Chamo o sr., pago a despesa e pergunto-lhe como vou até áquele pontinho no mapa. Ele diz-me que ainda é um bocado a pé, mas se esperar mais um bocado ele leva-a de táxi, porque ele é também, o taxista do local. Agradeço e espero.
Cheguei ao local, finalmente. Paguei o táxi e fiquei com o numero de telefone do sr., para o caso de ser preciso ir-me buscar. Caminho devagar, aliás naquele sitio tudo anda devagar, até a brisa sopra devagar, deixando no ar um cheiro a flores silvestres.
Respiro fundo, quero absorver tudo por onde passo, as cores, as coisas, os cheiros.
Sinto uma paz enorme, um prazer de conseguir ter paz.
Ao meu encontro caminha uma pessoa, sorrio, afinal ele estava á minha espera, abraçamos-nos, somos amigos, embora eu tenha um fraquinho por ele, tento disfarçar. Dois beijos carinhosos na face.
Leva-me para dentro, á minha volta um jardim lindo com erva rasteira pintada aqui e ali por flores de todas as cores, lindo.
Dentro do edifício, um edifício de um só piso, impera o branco, almofadas de todos os tamanhos e cores espalhadas sobre a tijoleira, nas paredes quadros de vários mestre e paisagens de paz, uma música de fundo, relaxante, acuso o cansaço de tantas horas de viagem, apetece-me enroscar-me naquelas almofadas e dormir.
Lá dentro ouço barulho de vozes, simpáticas estão a trocar impressões, sou apresentada ao grupo, todos me recebem de braços abertos, mostram-me o local onde vou ficar, pouso a mochila e vou ter com eles. Ao fim do dia já eram conhecidos de longa data, todos tínhamos algo em comum, a procura de encontrar-mos o nosso eu interior.
Entre meditações, caminhadas, conversas, Yoga, dança. dormir e comer, os dias passavam rápidos, mas eu ainda não tinha encontrado o que buscava.......
Nesse dia fui com o grupo até um lugar a que eles chamavam mágico, andámos a pé durante algum tempo, por entre árvores, arbustos, calcando um trilho pequeno e sinuoso, até que chegamos a uma clareira, sentámos-nos e meditámos em conjunto, depois dirigimo-nos para uma entrada numa rocha, baixámos-nos um bocado e quando abro melhor os olhos deparo-me com um amplo salão todo em rocha rosa, uma calma e um som lindos, eu não acreditava que houvesse locais assim. Sentei-me no chão e olho para uma espécie de altar esculpido naquela rocha rosa e sinto que finalmente encontrei um local, onde me sinto leve, em paz, entra por mim uma calma com que sempre esperei.
Vou voltar em breve, não encontrei o meu eu interior, mas pelo menos encontrei o lugar onde posso encontrar-me.


Ana Borges