26 de Outubro de 2026
68 anos. Uma vida
Dizem que a idade traz maturidade, mas a mim trouxe-me, acima de tudo, liberdade. Aos 68 anos, sinto que ainda há muito por aprender, lugares por conhecer e momentos para criar. A vida não abranda; ganha apenas mais significado. Parabéns a mim pelos meus 68 anos!
Chegar aos 68 anos não é apenas contar o tempo, é somar histórias. Olho para trás e vejo uma vida inteira feita de escolhas, de caminhos que se cruzaram, de risos partilhados e de tempestades que também me ensinaram a navegar. Hoje, o tempo tem outro ritmo. Já não tenho a pressa dos 20, nem a ansiedade dos 40. Tenho a serenidade de quem sabe o que realmente importa: o afeto, a paz de espírito e a saúde para continuar a caminhar. 68 anos de aprendizagem, de amor e de vida. Que venham os próximos capítulos!
Cheguei aos 68 anos. Olho para o espelho e não vejo apenas a passagem do tempo; vejo uma história inteira estampada nos meus olhos. Escrevo isto hoje, aqui no meu blogue, para que fique registado. Para não me esquecer de nada. Para me lembrar de tudo o que passei e, acima de tudo, de tudo o que superei.
A vida não foi um caminho plano. Vivi tristezas profundas, daquelas que parecem tirar o chão e deixar o peito apertado. Chorei lágrimas dolorosas e enfrentei tempestades que achei que não conseguiriam passar. Mas passaram. E, entre uma batalha e outra, também fiz as minhas conquistas. Sorri, ergui-me, construí o meu espaço e celebrei vitórias que só eu sei o suor que custaram.
Hoje, ao olhar para trás, percebo a mulher em quem me tornei. Sou uma mulher forte. Uma força que não nasceu do nada, mas que foi moldada por cada queda e por cada decisão de me levantar outra vez.
Agora, aos 68 anos, sinto uma urgência bonita dentro de mim: a vontade de recomeçar uma nova vida. Decidi que este é o momento de deixar para trás o que já não me importa, o passado que me magoou e tudo aquilo que me fez chorar. O que passou, passou. O meu foco é o agora.
Quero menos bagagem e mais liberdade. Quero o essencial. Quero ter tempo para sentir o cheiro do mar, para respirar fundo a brisa salgada e deixar que a chuva me toque na cara sem pressa de fugir. Quero viver de peito aberto, pronta para o que o futuro tem para me dar.
A tristeza que hoje senti, quando a minha Mãe me telefonou estava ao fundo das minhas escadas para me dar parabéns, e a chorar. Nunca fomos muito ligadas, mas com a velhice sinto que ambas temos tanto em comum, tenho muita pena de não ter vivido com a minha mãe, de deitar com ela quando a solidão bateu à minha porta, um abraço dela tinha sido tão bom, mas a vida separou-nos e os abraços foram ficando na memória, no querer e não poder ter tido.
Existe esse vazio tão grande dentro de mim, a minha irmã viveu sempre com a nossa mãe e não dá valor ao que é ter uma mãe ao nosso lado.
Quem me dera abraçá-la todos os dias e dizer o quanto gosto dela.
Não vou escrever mais nada, pois as lágrimas já não me deixam ver o teclado.
AMO-TE MÃE.
AnaBorges
